Entrevista com a Banda Monster Coyote (Rio Grande do Norte)

Bom humor e um Stoner pesado. Isso é o que você vai encontrar no Monster Coyote. Esta banda originária do Rio Grande do Norte, mesmo ainda recente, vem demonstrando um grande potencial, mais notadamente em “The Howling”, lançado este ano, um disco que tem tudo para agradar, principalmente os aficionados no estilo citado. Realizei esta entrevista com o guitarrista Amilton Jr., que mostra que o Rock/Metal não precisa ser sempre tão carrancudo quanto muitos idealizam…

Vicente – Inicialmente, Fale um pouco sobre a trajetória da banda. Como foi o começo do Monster Coyote?

Amilton Jr. – O Monster começou em 2009, como um quarteto e com o nome Pumping Engines. Era a junção de duas bandas que tinham acabado, eu e Kalyl de uma, Renan e Otavio (o outro guitarrista), de outra. Antes disso, ainda tiveram algumas tentativas de formação, mas o início mesmo foi com nós quatro. Ainda passamos um tempo procurando um vocalista, mas não rolou, então Kalyl assumiu. Pouco antes do “Stoner to the Boner”, Otavio saiu e ficamos nós 3.

Vicente – Como surgiu o nome? De quem foi a ideia do mesmo?

Amilton Jr. – Como eu disse, o nome antes era Pumping Engines. Apesar de ter um significado legal, o nome era horrível de pronunciar, não tinha sonoridade. Daí, na viagem de volta pra casa de um show fuderoso em João Pessoa e as vésperas de lançar o segundo disco, a gente pensou que era a hora pra mudar de nome. Ficamos debatendo e sugerindo nomes, e surgiu o Monster Coyote. A gente fala que é porque coiote é um bicho do deserto e a gente mora num, mas na verdade foi só porque ficou irado mesmo. Daí o “Stoner to the boner” já saiu com o novo nome.

Vicente – Seu segundo disco saiu este ano, “The Howling”. Como foi a gravação do mesmo, rolou tudo como esperavam?

Amilton Jr. – Foi correria demais. Terminamos algumas músicas durante a gravação pra tu ter ideia! E gravamos tudo em 2 dias! Foi muito rápido. Tenta gravar 10 músicas em 2 dias pra tu ver o que é bom! Mas no final, quando terminou a mixagem, a gente ouviu e ficou “de cara”. Curtimos muito o resultado.

 Vicente – E o retorno dos fãs?

Amilton Jr. – Curtiram muito não(risos)! Brincadeira, acho que curtiram sim. Muita gente fala bem do disco pra nós, não sei como é quando não estamos ouvindo! (risos)

Vicente – Qual seria a principal diferença dele para seu debut, o “Stoner to the Boner”?

Amilton Jr. – O som está mais pesado, mais metal. O vocal mais bruto também. Acho que experimentamos muita coisa que a gente curte e tentou juntar tudo no álbum. Desde forró, lambada, samba e Calypso, até Ney Matogrosso, a gente colocou muita coisa diferente.

Vicente – Para quem não conhece, qual acredita ser a música que melhor sintetiza o som do Monster Coyote?

Amilton Jr. – Hum… Difícil essa. Mas escuta “Dead Bravery” do The Howling. Essa tem um pouco de tudo.

Vicente – O Stoner Metal, do qual devo confessar ser fã de bandas como Cathedral, Electric Wizard, etc, é um estilo que nunca teve a atenção devida em nosso país. Para você, qual seria o motivo para essa falta de apoio do gênero?

Amilton Jr. – O Stoner é um gênero complicado, porque fica ali no limiar entre diversos estilos distintos, então muitos “extremistas” o deixam de lado. Outro fator que complica, é que no Brasil é muito pouco divulgado e por consequência, pouco tocado e vice-versa. Conta-se nos dedos as bandas de Stoner que estão na ativa por aqui. Já toquei para vários públicos que esperavam uma banda de METAL, porque não sacam o que é o Stoner Metal. Mas porra, não deveriam ter percebido que não íamos tocar Manowar quando nos viram sem os colantes de couro e as tachinhas?

Vicente – Quais são as suas maiores influências?

Amilton Jr. – Tirando o Calypso? Hum… Muita coisa mesmo. Em tratando-se de Stoner e Metal a gente curte muita coisa diferente. Então para mencionar algumas: Down, Mastodon, Slayer, Alabama Thunderpussy, Fu Manchu, Black Sabbath, Kylesa, Truckfighters, High On Fire, Baroness, Karma To Burn, Nebula, Kyuss, Corrosion of Conformity, Eyehategod…

Vicente – Muito se fala sobre os diversos problemas da cena Metal no Brasil. Qual avaliação que vocês fazem da mesma, especialmente no nordeste, que nos últimos anos tem tido um crescimento considerável, tanto no número de boas bandas como na realização de shows.

Amilton Jr. – Acho que o único problema da cena Metal é não ter um ícone como era o Sepultura há algum tempo, daí dá a impressão que está meio “abandonada”. Mas na real nem vejo isso como um problema. Sem exagero, é a cena mais forte e fiel em todo lugar. Muitas vezes pode ter problema de estrutura, de organização, mas não importa a banda, se for metal, vai ter headbanger pra ver. E se for um nome forte como Claustrofobia, Andralls, Violator, então, meu amigo, é sangue pra todo lado. Aqui no Nordeste existem centenas de bandas, das mais variadas vertentes do estilo, e muitas com um som foda. Só pra exemplificar, aqui no RN temos o Exposte Your Hate, que, na minha opinião, é uma das melhores bandas do Brasil.

Vicente – Vocês estão indo tocar na Argentina em Novembro, correto?

Amilton Jr. – Correto. Temos dois shows marcados por lá.

Vicente – Em poucas palavras, o que acham das seguintes bandas:

Cathedral: Não é o Black Sabbath. (curto, mas não é das minhas favoritas)

Saint Vitus: Não é o Black Sabbath (nunca parei na real pra ouvir, não dá pra opinar)

Electric Wizard: Não é o Black Sabbath. (acho foda)

Orange Goblin: Não é o Black Sabbath. (estamos em contato pra tentar trazê-los ao Brasil em breve).

Black Sabbath:: Falar o quê? É o Black Sabbath.

Vicente – Uma mensagem para os fãs e amigos que curtem o trabalho do Monster Coyote e para aqueles que gostariam de conhecer melhor seu som e apostam no Rock e Metal nacional.

 Amilton Jr. – Quando a gente for tocar na sua cidade, apareça e tome uma gelada com a gente (você paga), esse é o melhor jeito de conhecer a banda. E o som é o que menos interessa, o importante é ser bonito e isso nós somos (vide imagens). Abraço! Valeu!

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